O autismo que ninguém mostra

Tem dias que preciso me esconder, que não consigo interagir e preciso me isolar.

É o autismo que ninguém vê, é o autismo que ninguém mostra. É a parte feia, escondida e esquecida.

O sensorial bagunça, a depressão vem sem aviso e sem explicação. Não é falta de vontade de falar, é não saber o que falar e acabar presa em minha própria solidão.

As regras sociais são claras! Não minta, não traia, não ofenda. Mas vejo as pessoas mentindo porque traíram e ofendendo porque mentiram. Difícil demais decifrar as entrelinhas de um mundo neurotipico, que faz as regras, cobra do outro aquilo que não cumpre e pune o próximo pelo seu próprio engano.

Então, o autismo me isola, vejo coisas que me machucam, não posso falar nada, apenas orar a Deus, chorar e sentir a dor que insiste em chegar. O dia é longo, preciso cumprir meus compromissos, tenho um filho autista e esse esforço me dá uma enxaqueca que escorre pescoço abaixo como um óleo quente vertendo dos meus olhos. Medo, pânico, cansaço, tremor nas veias, sons com cores, cores em preto e branco e o desejo de simplesmente receber amor, sumir do planeta ou encontrar refúgio em um lugar onde ninguém julga ninguém.

O julgamento pode ser cruel, porque geralmente quem julga, julga errado e a injustiça nos fere a alma.

Acolha seu filho em momentos de isolamento, dê um colo, respeite seu espaço e saiba que quando tudo isso passa, o que fica é a vontade de que isso nunca mais aconteça de novo.

KenyaDiehl®️

Autismo é vida – me ame como sou