Quando eles demoram para crescer…

Geralmente vejo pais dizerem que não perceberam que seus filhos cresceram, que quando viram já estavam enormes – é natural da vida, faz parte da convivência, do olhar de pai e de mãe que protege e que zela pelo pequeno filho que cabe no colo até o fim da vida.

No caso do Guilherme tem sido diferente… Gui nasceu prematuro, de trinta e três semanas, com dois quilos apenas. Demorou para crescer, sempre foi pequenino, abaixo da média… Até dezembro do ano passado, já com nove anos, tinha a idade óssea de seis anos, pesava dezessete quilos e media 121cm.

Um ano atrasado na escola (propositadamente por escolha nossa), ainda assim era o menor da turma. Durante os meses de janeiro e fevereiro aconteceu um milagre e Gui foi parar nos 124cm e 24,5 quilos, ou seja, ganhou três centímetros e sete quilos e meio. Eu acompanhei cada milímetro, cada grama e cada elástico das roupas que se ajustavam em seu corpo. As bochechas rosadas, a disposição em brincar, aprontar e aprender…

Nada demais foi feito, apenas chegou o tempo dele, apenas tive paciência de esperar também o tempo de Deus. Acreditei, não o comparei com ninguém, sofri também, tive medo, faz parte do coração de mãe, mas o mais importante é que confiei e esperei.

Atualmente ele está na fase do alimento de verdade, come comida no almoço e na janta, tem preferência por arroz, feijão, brocolis, frango e batata palha, macarrão com molho e atum, panquecas com xarope de bordo, toma muita água. Adora refrigerante, mas não costumo ter em casa, então raramente toma. Ele não gosta de sucos, leite, iogurte ou qualquer outro tipo de bebida. Não gosta de doces, bolachas ou frituras. Ama bombons (come um por dia), adora pizza e batata ruffles, mas só dou quando me pede, geralmente aos finais de semana.

Como ele já teve seletividade alimentar severa eu não faço dieta restritiva do que quer que seja para ele, muito embora eu saiba que para sua saúde seja muito melhor que ele não coma glúten e nem açúcar. Tenho medo que ele volte a comer apenas uma coisa por vez, a vomitar, a emagrecer, enfim, coisas de mãe…

E vocês? Como estão indo com a alimentação de seus filhos? Comente aqui embaixo para mim. Não deixe de me mandar sua história para que a gente possa trocar experiências.

KenyaDiehl®️

Autismo é vida – me ame como sou

Um beijo muito carinhoso. Fiquem com Deus

Exija menos – compreenda mais

Existem tantas perguntas às quais não existem respostas. Mas será que não somos nós que temos o hábito de buscar respostas para tudo? E pior! Geralmente queremos as respostas que nos agrada e não exatamente a resposta verdadeira.

Sem perceber, muitas vezes somos tão superficiais com os sentimentos mais puros e por outro lado tão preocupados com coisas sem importância.

Não é correto e nem saudável ficarmos imaginando o que pode acontecer conosco ou desejar o que não é de nosso merecimento.

Muitos se preocupam sobre o que os outros pensam de si, mas não percebem que o pior julgamento vem de nossa própria consciência. Com o tempo as pessoas esquecem as nossas falhas ou a vergonha que passamos, mas o grande carrasco que nos julga é justamente o nosso eu, que assim como tem dificuldade de perdoar o próximo, em pior escala tem dificuldade de perdoar a si próprio.

Liberte sua vida, seja suave consigo mesmo. O arrependimento é a pior punição, então se você tem algum arrependimento verdadeiro não fique buscando uma forma de se punir ainda mais. Mude suas atitudes, seus pensamentos e viva!

A vida pode ser tão mais leve, através do perdão, da aceitação e do cumprimento de nossos deveres sem a preocupação com o que irá acontecer depois. Tente exigir menos e compreender mais.

Beijo muito carinhoso ❤️

Fiquem com Deus

KenyaDiehl

Eu autista

Autista adulto – alto funcionamento

Desde os nove anos de idade convivo com o diagnóstico de Transtorno do Espectro autista. Sou escritora, consultora em autismo, palestrante, blogueira e ativista na luta pela conscientização do autismo. Sou esposa, mãe, filha e tenho toda uma vida cheia de sonhos, frustrações e também alegrias…

Tenho 36 anos e, quando ouvi falar em autismo pela primeira vez, me lembro do termo asperger, algo que parecia um pouco menos pior do que o autismo propriamente dito… Mas não foi bem assim que as coisas aconteceram.

Sempre fui diferente, esquisita e sincera. Tinha sérias dificuldades de me encaixar nos padrões esperados para pessoas com a minha idade, não importava a idade que eu tivesse.

Hoje, com toda uma vida construída e com um olhar profundo sobre as coisas e sobre a vida, muitas pessoas me questionam sobre o que ainda há em mim que esteja relacionado ao autismo.

Perguntam se fui curada ou se tive a perda do diagnóstico. Infelizmente não posso afirmar que sim, mas posso dizer que diante de todas as maldades do mundo, teoricamente eu me dei bem.

Sou uma pessoa vista como “normal”, quem me encontra pessoalmente me vê sempre com as unhas bem pintadas, as sobrancelhas bem feitas, a maquiagem impecável e o mesmo perfume adocicado que uso há alguns anos… Sou uma pessoa responsável, amável e preocupada com os problemas da humanidade, mas…

E sempre tem o mas… Não consigo sair de casa sem a tal maquiagem, chegaram a me perguntar se uso maquiagem definitiva, mas a verdade é que o fato de colocar a maquiagem de manhã e retirar a noite faz parte de um ritual de rotina que me mantem segura e me faz encontrar comigo mesma todas as manhãs.

Minha casa está sempre impecável e os imprevistos na rotina não são bem vindos. Não saio sem lavar a louça ou arrumar a cama, não que isso vá me fazer mal, mas pensar em entrar em casa com algo fora de ordem me gera medo e medo não é bom para mim. Choro com facilidade, mas sou capaz de não derramar uma lágrima sequer caso eu seja responsável por segurar as dores dos outros…

Me alimento sempre das mesmas coisas, tomo sempre as mesmas bebidas e todas as vezes em que tentei frequentar uma academia de musculação foi um verdadeiro desastre, até o dia que resolvi montar minha própria academia em casa.

Tenho medo de insetos, barulhos muito altos me incomodam e praticamente não sinto dor, quando sinto é porque já chegou ao nível avançado para qualquer ser humano. E quando a dor vem, ela pode ser potencialmente mais forte em mim do que a maioria das pessoas.

Sou literal ao extremo, falo demais, faço movimentos e expressões de menos – aprendi há uns dois anos a me expressar melhor… e geralmente não sei a hora de parar de me explicar…

Por outro lado, sou uma pessoa alegre, cheia de sentimentos, de sonhos, de desafios, amo amar as pessoas, sou fascinada por música e seriados, tenho paixão por tratamentos estéticos e amo pessoas com necessidades especiais…

Sei lá, eles tem um valor diferente sobre as prioridades da vida. Adoro sexo, sim! Autistas fazem sexo, se apaixonam, amam. Isso é um tabu, eu sei, mas independentemente do comprometimento de cada um, temos um corpo físico, cheio de hormônios e com as mesmas necessidades de líquidos, alimentos e – sexo!

Quando gosto de algo, gosto para valer, me apego facilmente, adoro pessoas, adoro enrolar fios de linha entre meus dedos e também tenho fascínio por temporais… Sou muito inteligente naquilo que me interessa, como dirigir, cantar, escrever, amar, me doar ao próximo. Nas faculdades que fiz tirava dez nas matérias relacionadas ao lado humano, mas tirava zero nas disciplicas ligadas às exatas.

Sou o contrário da maioria dos autistas que têm bom desempenho com números.

Nunca fui muito inteligente e sempre fui voltada para a área de desenvolvimento pessoal.

Não gosto de multidões, odeio mentiras e sou excelente em executar missões que me são confiadas. Meu coração é incapaz de reter mágoas, raiva ou qualquer coisa que seja destrutiva. Sofro muito quando sou mal interpretada, mas se ganho um presente sou eternamente feliz desde o momento em que vejo a embalagem…

Flores me fazem sorrir, sangue me faz chorar, palavras doces me fazem amar.

Os toques suaves na pele me doem, mas a pressão feita com força e intensidade me levam ao paraíso. Corto meu próprio cabelo, faço minhas unhas, lavo meu carro, limpo minha casa.

O que mais dói é o preconceito, a pré determinação do que acham de mim, das deduções sobre mim que geralmente não são verdade e da falta de honestidade sobre as coisas da vida…

Essa sou eu, sou do bem, sou única, tenho um DNA exclusivo e minha própria forma de enfrentar as dificuldades.

Pare para pensar em quem você conhece que não tenha suas manias e esquisitices… Por isso eu amo a diversidade, aos vários modelos de famílias existentes e, acima de tudo, eu amo as pessoas, as suas almas e as suas histórias de vida.

Sou humana, amo a vida e me aceito como sou.

Tudo o que faço é para motivar pais, mães e autistas a lutarem pelos seus sonhos.

O que molda sua vida? O tanto de conhecimento que você adquire ou a forma como você o utiliza? Certamente a segunda opção.

Todos os seus caminhos são determinados pelas decisões que você toma ao longo de sua trajetória. Há uma força em seu interior que o torna capaz de superar quaisquer obstáculos e, a ausência de ansiedade, com certeza é o que te proporciona ter a tranquilidade de entender que o seu esforço sempre será recompensado.

Autismo é vida – me ame como sou

Beijo muito carinhoso,

Fiquem com Deus

KenyaDiehl

O que a morte de uma criança pode nos ensinar.

imagem do Google

Perder uma pessoa querida é sempre dolorido, difícil de compreender e devastador, independentemente de religião ou do tipo de compreensão que cada um tenha sobre a a vida e sobre a morte. Mas perder uma criança é algo que revolta, que nos faz por vezes perder a esperança de voltar a ter uma vida e nos coloca em desespero, em dor permanente e um busca incessante por respostas.

Nesse primeiro de março tivemos a notícia do falecimento do menino Arthur, neto do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, vítima de uma meningite que, de forma rápida, levou a criança à óbito. Mas o que mais assusta são os comentários maldosos acerca do tema, ao discurso de ódio presente em muitas falas de pessoas que se vêm livres de pecados e livre também da ira divina.

É de compreensão popular que, ainda que um pai mate acidentalmente um filho, ele precisa responder à justiça, ser processado e julgado pelo homicídio, mesmo sem culpa, porém a maior punição já é a perda da vida do filho, se fazendo desnecessária a punição legal.

Independentemente de partido político, o senhor em questão está pagando por cada ato ilegal que cometeu, está preso e ainda em fase de julgamento por demais denúncias existentes contra ele. Desde que as investigações começaram, já perdeu a esposa, o irmão e agora o neto de sete anos, então o que mais as pessoas querem? Apedrejar em praça pública?

Quem me conhece ao menos um pouco sabe que nunca fui a favor do PT, nunca fui a favor do Lula ou de qualquer coisa que viessem deles. Na época das eleições eu não me manifestei publicamente sobre meu voto porque achei injusto influenciar pessoas com a minha opinião. Agora, uma coisa é a rixa política, outra coisa bem diferente é desejar o mal ou, pior ainda, tripudiar da dor de quem quer que seja.

A morte do lindo menino Arthur nos ensina que precisamos amar mais, precisamos resgatar o sentimento de união, de compaixão, deixar o egoísmo e a maldade de lado, para nos unirmos, voltarmos a ser uma nação. Deus está nos mostrando insistentemente que é hora de passarmos a sentir a dor outro, a entender que ninguém está livre de perder alguém, que não podemos deixar de acreditar que somos todos humanos.

Na comunidade autista muito se fala em luta contra o preconceito, mas ao me manifestar publicamente sobre meu voto a favor do Bolsonaro e minha solidariedade com o ex-presidente Lula, vi pessoas falando atrocidades para ambos os lados, me atacando e desfazendo amizade, pessoas nitidamente preconceituosas, que se intitulam melhores que as outras seja lá por qual motivo.

É o raio-x da intolerância, da crueldade e da indecência que virou essa briga política, que já se tornou sem sentido, besta e repugnante.

Sou Bolsonaro, mas contra qualquer manifestação de ódio seja de qual lado for, pois não foi com ódio que se venceu essas eleições. E não será com ódio que iremos recuperar tudo o que se perdeu nesses anos todos que se passaram.

Reflitam! Sem ódio e com amor no coração.

Kenya Diehl