A hiper socialização

A hiper socialização

Um problema real, perigoso e de partir o coração…

Como todos sabem Guilherme já foi severo – não que não seja mais, mas a maior parte dos sintomas está adormecida e atualmente ele tem laudo de asperger. Ele não falava, não interagia e parecia não nos escutar. Nunca imaginei sentir a dor que tive que enfrentar com a falta de controle dele em se socializar.

Guilherme apresentou uma necessidade de socialização fora do comum, queria falar com todos que apareciam à sua volta e queria provar para todos que tinha algo de bom a contribuir… Em pensar no quanto me dei mal na vida pelo mesmo motivo e o esforço que preciso fazer para ainda não falar demais e nem com qualquer um que aparece na minha frente.

Você consegue imaginar o coração de mãe como fica? Muitas vezes ele era compreendido, mas em outras tantas ignorado, desdenhando ou acabava virando piada. E o pior, quando não lhes respondiam com o mesmo entusiasmo ficava bravo e às vezes até urrava de raiva…

Infelizmente as pessoas não têm como saber que ele tem autismo, que ele não falou até quatro anos e meio, que ele queria apenas fazer amigos. Então as saídas com ele estavam exaustivas, pois ele queria contar para todo mundo que tem um gato, que mora em Santos, que gosta de carro x, y,z ou que sua lâmpada favorita da marca Tashibra queimou. Então quando davam atenção à esta última observação ele queria que a pessoa lhe ajudasse a conseguir outra, quando diziam que não sabiam como ele se fechava, fazia cara de mau…

Como eu resolvi esse problema? Conversa, conversa e conversa, treino, treino e treino… Muito choro no meio da madrugada, uma dose de revolta com o mundo e o reconhecimento de que não sou de ferro…

Ainda estou em estado de alerta, a cada saída na rua eu tenho que avisar antes que ele não pode sair falando com todo mundo, a cada ida à praia preciso alertar que ele não pode chamar todas as crianças para brincar.

Estou lhe ensinando que precisamos enxergar as possibilidades, aproveitar as oportunidades e o bom é que ele me ouve, diz que sabe que está errado e que quer acertar.

Um misto de dor e culpa me invadem, mas como eu sempre digo: prefiro fazer o papel de bruxa e ensiná-lo a viver em sociedade do que ser a fada mágica que constrói uma fantasia e não o prepara para a dureza da vida.

Assim é a vida da mãe do autista, que não sabe tudo, mas sabe melhor do que ninguém como agir com o coração.

KenyaDiehl®️

Autismo é vida – me ame como sou

AutismoMake

Faça com amor, faça como um autista!

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